Luís Antero | Gravações Sonoras de Campo (Field Recordings)


 

VISEU

ARQUIVO SONORO DA RUA DO ARCO, RUA DO ARRABALDE e LARGO DA FEIRA

Através da prática de gravações sonoras de campo (field recordings), procurei, em cada um destes espaços, os sons do presente, as dinâmicas sonoras do quotidiano, o movimento perpétuo dos sons, mas igualmente os sons da memória ligados a estes lugares, através do testemunho oral de quem aqui trabalha, habita ou deambula. Procurei, em suma, através do som, dos marcos e paisagens sonoras desta zona da cidade de Viseu, espelhar criativa e artisticamente a sua identidade social e urbana.

Este trabalho de arquivo e documentação sonora fez parte do programa Invisible Places, Sounding Cities, na edição de 2014 dos Jardins Efémeros.


http://invisibleplaces.org/

http://www.jardinsefemeros.pt/

 

1. Estas Ruas Têm Voz | These Streets Have a Voice

Instalação sonora presente num dos antigos armazéns da Casa Sena, na Rua do Arco, entre 11 e 20 de julho de 2014.

Partindo do arquivo documental sonoro das ruas do Arco e Arrabalde, assim como do Largo da Feira e zona envolvente ao rio Pavia, na cidade de Viseu, constrói-se uma instalação sonora. Através da prática de gravações sonoras de campo (field recordings) procurou-se, em cada um destes espaços da cidade, os sons do presente, as dinâmicas sonoras do quotidiano, o movimento perpétuo dos sons, mas igualmente os sons da memória ligados a estes lugares, através do testemunho oral de quem aqui trabalha, habita ou deambula. Nesta instalação, situada na Rua do Arco, num dos antigos armazéns da Casa Sena, através da arte dos sons, dos marcos e paisagens sonoras desta zona da cidade de Viseu, procura-se espelhar criativa e artisticamente a sua identidade social e urbana. 

Starting from the sound archive of the streets Arco and Arrabalde, as well as the main square and surrounding area of Pavia River in the city of Viseu, Luís Antero creates a sound installation composed by field recordings made in these areas of the city. In his recordings, he searched for the sound dynamics of everyday life, the perpetual motion of sounds, but also the sounds of memory connected to these locations through the oral testimony of those who work here, or simply dwell. This sound installation reflects the social and urban identity of these ancient streets.

 

2. Passeio Sonoro Guiado | IPSC/JE14

O passeio sonoro guiado que aqui se apresenta teve inicio na Rua do Arco, passou pela feira semanal de Viseu, no Largo da Feira e subiu depois pela Av. Emídio Navarro, na companhia do historiador Luís Fernandes (é ele quem nos guia) e da curadora dos Jardins Efémeros, Sandra Oliveira.
Através deste passeio sonoro, ficamos a conhecer melhor a história destas artérias da cidade de Viseu e das artes e ofícios nelas ainda presentes.
Em plena feira semanal, oportunidade ainda para contactar com os habituais e tradicionais pregões de alguns dos vendedores que ali marcam assiduamente presença.

Este passeio sonoro guiado constituiu a base de todo o trabalho desenvolvido nesta zona da cidade de Viseu, no âmbito da minha proposta artística para os Jardins Efémeros 2014, que decorreram na cidade de Viriato, entre 11 e 20 de julho de 2014.

 

3. Pormenores Sonoros da Cidade/Sonic Details of the City | IPSC/JE14

Estas duas peças sonoras, divididas cronologicamente, resultam da oficina de gravações sonoras de campo “Pormenores Sonoros da Cidade” que realizei no âmbito do programa Invisible Places, Sounding Cities, na edição de 2014 dos Jardins Efémeros, na cidade de Viseu.

Com inicio no claustro pequeno do Museu Grão Vasco, a oficina desenvolveu-se depois pela zona envolvente deste e artérias do casco histórico da cidade de Viseu, espelhando acusticamente as suas paisagens e marcos sonoros quotidianos.

Estas peças foram produzidas com os sons originais e inalterados, gravados pelos participantes durante as 3 sessões desta oficina. A todos, o meu muito obrigado.

Estão incluídas nestas duas peças sons provenientes das instalações sonoras “Respiro”, da dupla @c, de Pedro Tudela e Miguel Carvalhais e “Echo Meditation”, dos hands on sound, formados por Jean Paul Herzer e Max Kullman. 

Gravações realizadas por: Solange Lima, Pedro Marta, Nuno Mateiro, Sofia Ferreira, Kelly Martins, Anabela Duarte, Carlos Cravo, Mafalda Lopes, Margarida Nunes, Juliana Reis, Carlos, Carlos Vieira e Duarte Santos



5. No Vento que Passa | JE 2016

"No Vento Que Passa é uma oficina/instalação/performance sonora que tem por base gravações sonoras de campo, realizadas em várias artérias do centro histórico da cidade de Viseu. A partir destas gravações, constroem-se várias peças sonoras que convidam a deambular pela cidade em passeios sonoros de áudio-teatro."

Esta peça sonora foi apresentada nos dias 2, 3, 9 e 10 de julho, no âmbito da programação dos Jardins Efémeros 2016.

No Vento Que Passa

A história é longa. Tem tempo. O tempo é coisa que faz parte dela. Estas ruas têm voz. É coisa sonora. É tempo feito som. São lugares sonoros. São identidade. São memória. Fazem parte da cidade. Dão-lhe valor. São braços e pernas da cidade. Fazem parte do seu corpo. Um corpo feito também de som. De múltiplos e variados sons. A voz destas ruas é também a voz das gentes que nelas vivem e trabalham. É a voz do quotidiano que resiste. Do dia a dia que existe. É também a voz da memória. Da memória ligada ao trabalho e ao comércio destas ruas. Ao comércio deste tempo, marcando o tempo único destas ruas. A loja de ferragens defronte para D. Duarte. A funerária que abre as suas portas à Misericórdia. A arte do nobre cobre encostada à imponente Sé. O restaurante que canta o fado libertino. A loja de fotografias que retrata o passar do tempo. Da cidade. Há tanto para contar e tanto que se conta no caminhar por estas ruas. São passos diários que pisam as palavras destas ruas. Palavras que se alicerçam no tempo para fazerem dele a sua casa. O tempo é generoso e da sua generosidade graciosa constrói-se um outro tempo. Um tempo de reflexão. Do saber para onde se vai. Mas é também um tempo aonde sempre se regressa. Porque a cidade é a nossa casa. É também a nossa voz. Somos uma espécie de mesmo corpo habitável. Indissociável do nosso sentir a cidade. Da nossa pertença a este pedaço de terra e de vivências. É o nosso lugar. Um lugar sonoro. A paisagem sonora da cidade envolve-nos na sua multiplicidade. Existem marcos sonoros que fazem com que esta cidade soe como soe. Mas há também 'fatalismos sonoros', aos quais não podemos fugir. Há ruído. Como em qualquer outra cidade. Há ruído. Uma espécie de banda sonora indesejável. No tempo que passa. No tempo que se esvai. A cidade perdura. Ergue-se, cai, constrói-se e reconstrói-se. E com ela as suas ruas, a sua voz, as suas gentes, o seu corpo. No vento que passa. No tempo que se esvai. A história é longa. Da cidade e do tempo. Da cidade no tempo. No vento que passa. No tempo que se esvai. A história é longa. Da cidade e do tempo. Da cidade no tempo.

Luís Antero

 

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